28 março 2010

Antes de começar... (15)


Livro: O Ladrão da Tempestade
Autor: Chris Wooding
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea, n.º 70
Ano: Fevereiro 2009

"No meio de um vasto oceano, existe uma cidade-ilha chamada Orokos, onde nunca ninguém conseguiu entrar e donde nunca ninguém conseguiu sair. Orokos é um lugar governado pelo caos, que é fruto de um estranho fenómeno: as tempestades de probabilidades. Estas tempestades têm o poder de alterar tudo à sua passagem, incluindo mudar ruas de sítio ou transformar pessoas em animais, de modo que nada é previsível, nada é estável, e a vida como as pessoas a conhecem pode modificar-se de um momento para o outro. Rail e Moa são dois jovens ladrões que há muito vivem com as consequências das tempestades - até que um dia ficam na posse de um artefacto antigo, pertencente a outra era, com um poder cobiçado por gente muito perigosa e que os conduzirá até ao segredo mais tenebroso de Orokos. Um mundo ficcional único, complexo e minuciosamente arquitectado que constitui uma poderosa mistura de thriller, ficção científica e fantasia e que deixará os leitores rendidos aos seus mistérios."

27 março 2010

A RAINHA NO PALÁCIO DAS CORRENTES DE AR, Stieg Larsson


Thriller, Oceanos
A indicação que tinha é que era o melhor dos três livros, mas fiquei cheia de dúvidas. É bom? Sim. O melhor? Acho que não. Sinceramente, o meu favorito foi o primeiro. Não só por encontrar pela primeira vez esta linguagem forte e visual de Stieg Larsson, mas porque teve um princípio, um meio e um fim.
O que vemos neste último livro é o resolver das questões que ficaram em aberto no segundo livro. Não temos mais mistério que não seja aquele em volta da conspiração que rodeia a vida de Lisbeth Salander. Pronto, está bem, há sempre aquele de saber quem é o "Caneta Porca"... mas mesmo isso soube-me a pouco.
E no final é inevitável lembrar que o autor sueco (que já morreu) tinha previsto dez livros nesta série. É que apesar de Lisbeth achar que o passado está resolvido, ainda fica a questão: então e a irmã gémea?
A mulher de Larsson diz que por detrás dos livros estava muito do seu trabalho. Prove-o e edite mais um livro das aventuras de Mikhael Blomkvist e de Salander depois logo falamos.
Apesar de tudo isto, é um excelente livro de acção que merece sem dúvida a pena ler.

22 março 2010

Antes de começar... (14)


Livro: A Rainha no Palácio das Correntes de Ar
Autor: Stieg Larsson
Editora: Oceanos
Colecção: Millennium 3
Ano: Junho 2009

"Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas…
Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho.
Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?"

21 março 2010

A RAPARIGA QUE SONHAVA COM UMA LATA DE GASOLINA E UM FÓSFORO, Stieg Larsson


Thriller, Oceanos
O segundo volume da saga Millenium volta a justificar o sucesso que os livros do sueco Stieg Larsson têm. Estamos perante um verdadeiro jogo do gato e do rato, em que rato é Lisbeth Salander e o gato são todos aqueles que ou a querem acusar uma série de mortes ou a querem ver ilibada, liderados por Mikael Blomkvist. Ela, como sempre, joga melhor sozinha.
A acção desenrola-se de forma mais acelerada que no primeiro livro e o autor volta a usar uma linguagem crua para contar a história. Apesar de o tema voltar a ser o abuso sexual de mulheres, há menos violência sexual explícita que em Os Homens que Odeiam as Mulheres. A tortura pura e simples continua lá (os suecos não eram um povo super certinho e responsável???)
Infelizmente, a minha leitura foi prejudicada porque, assim que acabei de ler o primeiro livro, fui a correr ver o filme. BIG MISTAKE! O primeiro filme da série desvenda já pormenores importantes do segundo livro, pelo que muitas das grandes revelações eu já sabia. Aprendi a lição. Não ponho os pés na sala de cinema sem ler o terceiro livro.
Outra nota importante é garantir que temos ao nosso lado A Rainha no Palácio das Correntes de Ar quando acabamos de ler este livro, porque o desejo é começar imediatamente a ler o próximo. E dizem os críticos, que o último é o melhor de toda a trilogia.

20 março 2010

Citação do dia 14


"Os homens podiam ser grandes como uma casa, e feitos de granito, mas todos eles tinham os tomates no mesmo sítio. Pela primeira vez, o gigante parecia abalado. Deixou escapar um gemido, levou as mãos aos testículos e caiu sobre um joelho."

in A RAPARIGA QUE SONHAVA COM UMA LATA DE GASOLINA E UM FÓSFORO, Stieg Larsson

15 março 2010

Antes de começar... (13)


Livro: A Rapariga Que Sonhava com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo
Autor: Stieg Larsson
Editora: Oceanos
Colecção: Millennium 2
Ano: Setembro 2009

"Depois de uma longa estada no estrangeiro, Lisbeth Salander regressa à Suécia, cede o pequeno apartamento onde vive à sua amiga Miriam Wu, e instala-se luxuosamente numa zona nobre da cidade. Pela primeira vez na vida é economicamente independente, mas cedo percebe que o dinheiro não é tudo: não tem amigos nem família e está só. Mikael Blomkvist, que tentara contactar Lisbeth Salander durante meses, sem sucesso, desiste e concentra-se no trabalho. À Millenium chegou material para uma notícia explosiva: o jornalista Dag Svensson e a sua companheira Mia Johansson entregam na editora dois documentos que provam o envolvimento de personalidades importantes numa rede de tráfico de mulheres para exploração sexual. Quanto Dag e Mia são brutalmente assassinados, todos os indícios recolhidos no local do crime apontam um suspeito: Lisbeth Salander. O seu passado sombrio e pouco convencional não abona a favor da sua imagem e a polícia move-lhe uma implacável perseguição. Lisbeth Salander, que está disposta a romper de vez com o passado e a punir aqueles que a prejudicaram, tem agora de provar a sua inocência e só uma pessoa parece disposta a ajudá-la: Mikael Blomkvist que, apesar de todas as evidências, se recusa a acreditar na sua culpabilidade."

Nota: Li o primeiro volume da triologia Millenium - Os Homens que Odeiam as Mulheres - há uns meses, antes de começar o blogue, mas ainda tenho bem presente a história de Mikael e de Lisbeth. Lembro-me de, na altura, ficar chocada com algumas das descrições, verdadeiramente violentas, e de me surpreender a cada momento com a história. Vamos ver o que Stieg Larsson guardou para este livro.

14 março 2010

AS INICIAIS DA TERRA, Jesús Díaz


Romance, Ambar
Ele foi líder estudantil, mas cometeu um erro. Ele esteve em praia Girón, mas por acaso. Ele esteve na safra da cana de açúcar, mas ficou sempre àquem do esperado. Ele quis ser herói, ele quis ser guerrilheiro, ele quis ser um quadro do partido, mas nunca foi nada. Agora, está diante de uma assembleia que pode decidir o seu futuro na ilha de Fidel Castro e faz um balanço da sua vida para saber se merece ou não ser um "trabalhador exemplar". Carlos Pérez Cifredo era filho de um rico proprietário que sofreu com a revolução de 1959, mas isso não impediu que fosse um dos seus principais defensores. Teve medo do "comunismo", mas acabou por se render a ele. Mas que consequências teve isso na sua vida? É esta a história que Jesús Díaz conta neste livro, a momentos hilariante, às vezes cru na forma como nos descreve o interior da revolução cubana. Um excelente livro para quem, como eu, se interessa por estes assuntos, mas tem apenas uma visão distante do que se passa em Cuba.

12 março 2010

Citação do dia 13


"- O que se passa comigo, senhor doutor? O que é que eu tenho?
O Arquimandrita serviu-lhe um copo de rum, acendeu um charuto e olhou-o nos olhos enquanto lhe explicava com voz grave que estava doente, padecia de um mal infantil que nos adultos costumava ter consequências desastrosas. E o pior era que o tinha atacado na variante chinesa, desgraçadamente a mais virulenta e a que maior índice de mortalidade andava a causar entre nós. Sofria, disse pondo-lhe a mão peluda e papuda no ombro, da Síndrome do Esquerdismo, uma doença psíquico-política comum, mas muito perniciosa; por sorte, no caso dele não vinha acompanhada de certas manifestações parasitas como o oportunismo, se bem que houvesse uma fortíssima incidência egolática que, por outro lado, não era o pior. Todo o jovem sonhava ser herói, portanto a vida fazia o seu trabalho."

in AS INICIAIS DA TERRA, Jesús Díaz

04 março 2010

Citação do dia 12


"Havia línguas, o espanhol que eles falavam, o inglês que se falava nos filmes, e a língua dos quadradinhos que só se falava nos quadradinhos, onde as coisas se partiam, CRASH!, as máquinas corriam, ROARR!, os terramotos destruíam, RUMBLE, RUMBLE!, as pistolas disparavam, BANG, as metralhadoras metralhavam, GRRR!, choravam, SNIF-SNIF!, e adormeciam, Z-Z-Z, sonhando com uma serra que costava um tronco para acordarem perante crianças africanas, pretinhas com ossos na cabeça e no nariz, que diziam DUPA BUPA UMT TOTA!"

in AS INICIAIS DA TERRA, Jesús Díaz

03 março 2010

Antes de começar... (12)


Livro: As Iniciais da Terra
Autor: Jesús Díaz
Editora: Ambar
Colecção: Literatura Universal, n.º 37
Ano: Janeiro 2007

"Este livro é um viagem inesquecível ao interior da revolução cubana. Carlos Pérez Cifredo é confrontado com o 'contamatuavida', a folha em branco que deverá preencher para que os companheiros decidam em assembleia se merece ou não o título de 'trabalhador exemplar'. Através de uma extraordinária fusão de linguagens - coloquiais, musicais, cinematográficas, políticas e até da banda desenhada - o leitor acompanha o protagonista na recordação das peripécias da sua vida, umas hilariantes, outras dolorosas, mas sempre muito intensas, que culminam na assembleia onde a sua existência irá ser julgada.
Este primeiro romance de Jesús Díaz esteve proibido pelas autoridades cubanas durante doze anos. Quando finalmente foi publicado em Madrid e em Havana, em 1987, foi considerado o grande romance crítico da revolução cubana, foi várias vezes reeditado, traduzido para alemão, fancês, sueco e grego, consagrando de imediato o seu autor."

02 março 2010

A ARTE DE MATAR, Jonathan Santlofer


Policial, Editorial Presença
Jonathan Santlofer volta a pegar numa história e a contá-la não apenas através das palavras, mas também das imagens, tal como fez em "Anatomia do Medo". Desta vez, a personagem principal é Kate, que foi detective da polícia até casar e começar a fazer parte da elite de Nova Iorque. A arte é a sua paixão e é um dos seus quadros que o assassino de turno vai destruir num dos seus primeiros ataques. Kate envolve-se então na investigação para descobrir quem está a destruir os quadros dos pintores da chamada Escola de Nova Iorque - e a matar pelo caminho -, deixando pistas sobre o próximo crime numa tela a preto e branco. Imagens que Santlofer espalha pelas páginas do seu livro.
O autor norte-americano constrói mais uma vez uma história intrigante, mas onde nos embrenhamos com alguma dificuldade. A certa altura, são muitas personagens - vivas ou mortas - e "A Arte de Matar" não é propriamente o "Guerra e Paz". A bem da verdade, isso significa também que não fazia a mínima ideia quem era o assassino até duas páginas antes da personagem principal.
Aquilo que verdadeiramente me irritou foi passar todo o livro a ler sobre o marido de Kate (que foi assassinado) ou dos dois serial killers que ela prendeu no passado e ficar com a sensação de que o leitor devia conhecer essas histórias. Não me supreendi por isso ao descobrir aqui que este é o terceiro livro em que Santlofer usa as capacidades de investigação de Kate. Não acho mal que a editora tenha optado por traduzir só este, mas acho que podia haver uma nota quando se faz pela primeira vez referência a esses dois assassinos para deixar a indicação de que há outros dois livros.